Páginas

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Aprovado fim do índice que evita aposentadorias precoces

A mudança no cálculo da aposentadoria ainda é uma proposta, que ganhou força ao ser aprovada na CCJ da Câmara dos Deputados.
O projeto acaba com o chamado Fator Previdenciário, um mecanismo usado para calcular o valor das aposentadorias e estimular o trabalhador a contribuir mais, a não se aposentar cedo. O fator foi criado há dez anos. Se acabar mesmo, o governo diz que a Previdência Social não vai aguentar. Mas a proposta ainda depende de votação no plenário da Câmara. Os aposentados passaram o dia reivindicando. Impedidos de entrar no plenário, pressionaram de longe. Ocuparam um corredor da Câmara, com cartazes e muito barulho. O projeto foi considerado constitucional, mas o governo conseguiu adiar o que mais interessa aos aposentados: a votação em plenário do fim do Fator Previdenciário. Criado há dez anos, o Fator Previdenciário reduz o valor dos benefícios. Quanto menor o tempo de contribuição, menor o benefício. Uma forma de incentivar as pessoas a deixar a aposentadoria para depois. “O Fator Previdenciário é uma ideia de você diminuir o valor da aposentadoria de pessoas que se aposentam muito cedo”, explica o economista Adolfo Sachida. Hoje, o aposentado recebe 80% do valor das maiores contribuições. O projeto muda esse cálculo: será a média das contribuições dos últimos três anos. O discurso do governo é que a proposta vai prejudicar os mais pobres. “Se nós formos calcular a aposentadoria deste trabalhador pelos últimos três anos, nós vamos pegar no momento da vida dele que ele está ganhando menos e consequentemente ele vai se aposentar ganhando menos do que contribuiu a vida inteira”, explica o deputado Pepe Vargas (PT-RS). Os aliados no Congresso dizem que se cederem demais, a conta vai ficar muito pesada para a Previdência. Sobraria para o Planalto. O presidente Lula seria obrigado a vetar o projeto por causa do impacto financeiro. A oposição acha que o governo tem dinheiro no cofre para negociar. “De 2000 a 2008, o governo economizou individualmente R$ 1,1 bilhão por ano, portanto, não é nenhum rombo”, opina o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). “É necessário dizer de onde nós vamos tirar dinheiro, onde vai cortar o dinheiro, como vai pagar? Nós vamos diminuir o salário-mínimo? Vamos cortar o Bolsa-Família?”, questiona o deputado José Genoíno (PT-SP). Líderes do governo vão tentar empurrar, adiar a votação da proposta. Querem antes votar os projetos do pré-sal. Ainda segundo eles, o Fator Previdenciário só pode acabar se houver um mecanismo alternativo, que também evite as aposentadorias precoces.

fonte:www.g1.globo.com/bomdiabrasil